Tenho 17 anos. Completo 18 no próximo mês. Gosto bastante da minha família. Tenho amigos que gostam de mim. Alguns deles me acham engraçado, outros bobão demais. Imaturo, talvez. Escrevo secretamente no word. Vomito palavras que nunca teria coragem de dizer na vida real. E apago comentários em redes sociais antes de publicar. Sei lá, tenho medo das reações. Tenho medo de muita coisa, para falar a verdade. Já visitei todos os estados da Região Sudeste, mas somente um das outras regiões. Tenho vontade de conhecer o mundão lá fora e morar longe dos meus pais, um dia, só pra saber como é e aprender a cozinhar na marra. Só cozinho macarrão instantâneo. Gosto de dias chuvosos, daqueles que ficam fresquinhos o suficiente para usar cobertor. Quando era menor não gostava muito de café, mas hoje não vivo sem. Tomo cafés mornos. Não consigo ingerir qualquer coisa que solte fumaças, apesar de me esforçar. Sou católico e vivo minha fé. Estudo em um instituto federal e faço um curso que não tenho muita vontade de que se torne minha profissão. Leio muitos livros e isso já foi motivo de críticas negativas. Há um tempo, só lia livros para entretenimento, mas aprendi que eles tem muita coisa pra ensinar. Também tento assistir filmes, apesar de não ter muita paciência. Nunca consegui terminar séries que duram mais uma temporada. A maioria das coisas que leio e assisto aparecem no QMD, porque não consigo imaginar alguém que queira passar pelo mundo sem dar opiniões sobre as coisas. Antes disso, entretanto, costumo procurar informações, análises e embasamentos para me expressar. Por isso, me incomodo com gente que escreve qualquer besteira no Facebook e se dedica a rebater pensamentos de qualquer jeito. Odeio usar fio dental. Faço isso  só de vez em quando e por obrigação. Não tenho televisão no meu quarto. Gosto de desenhar, mas não acho apto o suficiente para isso. Quando desenho com a mão direita, parece que o fiz com a esquerda. Nem ouso a usar a mão esquerda por isso. Nunca fiquei bêbado, nem pretendo. Me canso rápido das coisas, das músicas, das pessoas. Queria acordar mais tarde, mas os estudos não permitem. Tem dias que gostariam de dormir o dia inteiro, mas em outros quero ficar acordado o máximo que puder. Não acompanho meus amigos no Facebook. Nunca chorei lendo o livro, mas O Clube do Filme quase fez isto acontecer. Adoro receber coisas pelo correio. Troco postais pela internet com gente que nunca vi. Não gosto muito de conversar pelo telefone. Não acho agradável ouvir minha própria voz. Fui uma criança um pouco quieta demais, sem ossos quebrados, sem cicatrizes. A parte do meu corpo que mais gosto é a palma da mão, cheio das linhas da vida, do amor e de coisas incompreensíveis (não que a vida e o amor sejam!). Prefiro andar a pé do que de bicicleta. Não tenho vontade de aprender a dirigir. Leio no ônibus. Gosto de ver as fachadas das lojas e as pessoas andando nas ruas, quando estou no ônibus. Acho a Maísa uma criança normal. Gosto de viajar pelos blogs das outras pessoas, procurando por inspiração. Gosto de pessoas que nunca me deram motivo para isso. Tenha saudade dos amigos antigos. Gosto de os encontrar ao acaso. Nunca senti um abraço perfeito (são sempre fortes demais ou fracos demais). Deixo as coisas para a última hora. Não costumo me programar por este motivo. Demorei três dias para terminar este primeiro parágrafo do texto.

Enfim, não sei quantas frases escrevi por aí e tenho uma preguiça patológica de números. O que eu queria dizer é que poderiam me fazer dezenas de perguntas que teriam estas respostas, mas sempre me vem com o “com o que você quer trabalhar?” e todas as suas variações: “o que você quer ser quando crescer?”, “qual a faculdade que você escolheu?”…Eu não sei o que quero da minha vida.O problema das pessoas é colocar a profissão em algo que está muito acima das outras coisas quando se trata de felicidade. É claro que a profissão é muito importante, precisa trazer prazer e sustento ao mesmo tempo, mas não creio que isso seja um emprego fixo e estabilizado a única forma de explorar a nossa vida.Não importa se você escolher a profissão que te parece perfeita ao fim do ensino médio, aquela em que você nunca teve experiência alguma e só escolheu por causa de um amiguinho, de um cruzamento de fatores ou o que ela te parece superficialmente (muito dinheiro, muito glamour, muita gente que usa tatuagens na turma…). Será realmente quando chegarmos à universidade que vamos nos dar conta de se o curso é propício ou não a nós. Depois, vem a busca por empregos e é nessa hora que vamos ver se a profissão é propícia ou não há nós.O que estou querendo dizer é que não existe essa de somente uma coisa te satisfazer e somente uma possibilidade ser correta entre milhões. Cada curso traz variadas opções de emprego em diferentes áreas. A vida é um enorme ciclo de tentativa e erro.Nós nos transformamos o tempo todo e temos várias chances de fazer as coisas, sabe? Sempre chegará uma hora em que você perceberá que fez a coisa errada, a escolha que não deveria. Mesmo depois de tudo definido e estabilizado você pode assumir o adolescente eterno em você e dizer que não sabe o que quer da sua vida.Aguenta um pouco. Arranje novas ferramentas. Transforme seu espaço. E depois, aí assim, mude emprego. Mude de profissão. Faça a escolha certa (de novo!). Não dá pra ficar à espera da mudança se continuamos sempre no mesmo lugar. Não querer saber o que quer da vida não é ruim. Só quer dizer que você pode cumprir seu objetivo e trocar ele por outro, e por outro, e por outro. Estar perdido significa que existem vários caminhos. 


Publicado originalmente no blog QMD.
Tenho 17 anos. Completo 18 no próximo mês. Gosto bastante da minha família. Tenho amigos que gostam de mim. Alguns deles me acham engraçado, outros bobão demais. Imaturo, talvez. Escrevo secretamente no word. Vomito palavras que nunca teria coragem de dizer na vida real. E apago comentários em redes sociais antes de publicar. Sei lá, tenho medo das reações. Tenho medo de muita coisa, para falar a verdade. Já visitei todos os estados da Região Sudeste, mas somente um das outras regiões. Tenho vontade de conhecer o mundão lá fora e morar longe dos meus pais, um dia, só pra saber como é e aprender a cozinhar na marra. Só cozinho macarrão instantâneo. Gosto de dias chuvosos, daqueles que ficam fresquinhos o suficiente para usar cobertor. Quando era menor não gostava muito de café, mas hoje não vivo sem. Tomo cafés mornos. Não consigo ingerir qualquer coisa que solte fumaças, apesar de me esforçar. Sou católico e vivo minha fé. Estudo em um instituto federal e faço um curso que não tenho muita vontade de que se torne minha profissão. Leio muitos livros e isso já foi motivo de críticas negativas. Há um tempo, só lia livros para entretenimento, mas aprendi que eles tem muita coisa pra ensinar. Também tento assistir filmes, apesar de não ter muita paciência. Nunca consegui terminar séries que duram mais uma temporada. A maioria das coisas que leio e assisto aparecem no QMD, porque não consigo imaginar alguém que queira passar pelo mundo sem dar opiniões sobre as coisas. Antes disso, entretanto, costumo procurar informações, análises e embasamentos para me expressar. Por isso, me incomodo com gente que escreve qualquer besteira no Facebook e se dedica a rebater pensamentos de qualquer jeito. Odeio usar fio dental. Faço isso  só de vez em quando e por obrigação. Não tenho televisão no meu quarto. Gosto de desenhar, mas não acho apto o suficiente para isso. Quando desenho com a mão direita, parece que o fiz com a esquerda. Nem ouso a usar a mão esquerda por isso. Nunca fiquei bêbado, nem pretendo. Me canso rápido das coisas, das músicas, das pessoas. Queria acordar mais tarde, mas os estudos não permitem. Tem dias que gostariam de dormir o dia inteiro, mas em outros quero ficar acordado o máximo que puder. Não acompanho meus amigos no Facebook. Nunca chorei lendo o livro, mas O Clube do Filme quase fez isto acontecer. Adoro receber coisas pelo correio. Troco postais pela internet com gente que nunca vi. Não gosto muito de conversar pelo telefone. Não acho agradável ouvir minha própria voz. Fui uma criança um pouco quieta demais, sem ossos quebrados, sem cicatrizes. A parte do meu corpo que mais gosto é a palma da mão, cheio das linhas da vida, do amor e de coisas incompreensíveis (não que a vida e o amor sejam!). Prefiro andar a pé do que de bicicleta. Não tenho vontade de aprender a dirigir. Leio no ônibus. Gosto de ver as fachadas das lojas e as pessoas andando nas ruas, quando estou no ônibus. Acho a Maísa uma criança normal. Gosto de viajar pelos blogs das outras pessoas, procurando por inspiração. Gosto de pessoas que nunca me deram motivo para isso. Tenha saudade dos amigos antigos. Gosto de os encontrar ao acaso. Nunca senti um abraço perfeito (são sempre fortes demais ou fracos demais). Deixo as coisas para a última hora. Não costumo me programar por este motivo. Demorei três dias para terminar este primeiro parágrafo do texto.
Enfim, não sei quantas frases escrevi por aí e tenho uma preguiça patológica de números. O que eu queria dizer é que poderiam me fazer dezenas de perguntas que teriam estas respostas, mas sempre me vem com o “com o que você quer trabalhar?” e todas as suas variações: “o que você quer ser quando crescer?”, “qual a faculdade que você escolheu?”…

Eu não sei o que quero da minha vida.

O problema das pessoas é colocar a profissão em algo que está muito acima das outras coisas quando se trata de felicidade. É claro que a profissão é muito importante, precisa trazer prazer e sustento ao mesmo tempo, mas não creio que isso seja um emprego fixo e estabilizado a única forma de explorar a nossa vida.

Não importa se você escolher a profissão que te parece perfeita ao fim do ensino médio, aquela em que você nunca teve experiência alguma e só escolheu por causa de um amiguinho, de um cruzamento de fatores ou o que ela te parece superficialmente (muito dinheiro, muito glamour, muita gente que usa tatuagens na turma…). Será realmente quando chegarmos à universidade que vamos nos dar conta de se o curso é propício ou não a nós. Depois, vem a busca por empregos e é nessa hora que vamos ver se a profissão é propícia ou não há nós.

O que estou querendo dizer é que não existe essa de somente uma coisa te satisfazer e somente uma possibilidade ser correta entre milhões. Cada curso traz variadas opções de emprego em diferentes áreas. A vida é um enorme ciclo de tentativa e erro.

Nós nos transformamos o tempo todo e temos várias chances de fazer as coisas, sabe? Sempre chegará uma hora em que você perceberá que fez a coisa errada, a escolha que não deveria. Mesmo depois de tudo definido e estabilizado você pode assumir o adolescente eterno em você e dizer que não sabe o que quer da sua vida.

Aguenta um pouco. Arranje novas ferramentas. Transforme seu espaço. E depois, aí assim, mude emprego. Mude de profissão. Faça a escolha certa (de novo!). Não dá pra ficar à espera da mudança se continuamos sempre no mesmo lugar. Não querer saber o que quer da vida não é ruim. Só quer dizer que você pode cumprir seu objetivo e trocar ele por outro, e por outro, e por outro. Estar perdido significa que existem vários caminhos. 
Publicado originalmente no blog QMD.
Milhares de estrelas. Milhares de planetas. Milhares de luas, sóis, satélites… Quem sabe, vários outros seres vivos. Um lugar infinito, repleto de cometas que brilham na imensidão, supernovas atravessando o ar. O universo é algo estupendo, enorme. 
Maior que nossos pensamentos, maior que amor de mãe, maior que as dívidas deixadas por todas as pessoas que já morreram em milhões de anos neste planeta. 
Se cada gota de chuva que já caiu durante este tempo contasse como um centímetro (ou até mesmo um metro) e fossem colocados lado a lado, não conseguiriam ocupar o infinito de metros quadrados que o nosso universo ocupa. 
Não dá medir ou mensurar. Não dá pra abraçar ou agarrar com força. Nem a maior das pessoas conseguiria controlar o universo, porque ela é mínima diante da grandeza do que está fora do nosso planeta.
E ainda me vem o ser-humano dizer que é importante, que é a única raça que pensa e raciocina. Que pode entender como os planetas transitam ou como as estrelas morrem. Que conseguem explicar todas as coisas com equações matemáticas. Que podem concluir as razões de tudo, as razões de estarmos aqui, agora, agarrados nesse frio, enquanto água cai do céu lá fora. 
Não, eles não podem.
O mundo inteiro está errado, eu sei. Ainda bem que posso morar no seu abraço.

Milhares de estrelas. Milhares de planetas. Milhares de luas, sóis, satélites… Quem sabe, vários outros seres vivos. Um lugar infinito, repleto de cometas que brilham na imensidão, supernovas atravessando o ar. O universo é algo estupendo, enorme. 

Maior que nossos pensamentos, maior que amor de mãe, maior que as dívidas deixadas por todas as pessoas que já morreram em milhões de anos neste planeta. 

Se cada gota de chuva que já caiu durante este tempo contasse como um centímetro (ou até mesmo um metro) e fossem colocados lado a lado, não conseguiriam ocupar o infinito de metros quadrados que o nosso universo ocupa. 

Não dá medir ou mensurar. Não dá pra abraçar ou agarrar com força. Nem a maior das pessoas conseguiria controlar o universo, porque ela é mínima diante da grandeza do que está fora do nosso planeta.

E ainda me vem o ser-humano dizer que é importante, que é a única raça que pensa e raciocina. Que pode entender como os planetas transitam ou como as estrelas morrem. Que conseguem explicar todas as coisas com equações matemáticas. Que podem concluir as razões de tudo, as razões de estarmos aqui, agora, agarrados nesse frio, enquanto água cai do céu lá fora. 

Não, eles não podem.

O mundo inteiro está errado, eu sei. Ainda bem que posso morar no seu abraço.

Acordei. Antes mesmo de abrir os olhos já passei o braço do lado e tentei encostar em você, te abraçar, sentir sua presença. Em vão. Na hora que só encontrei o lençol gelado que me lembrei da discussão de semana passada.
Você jogando na minha cara meus erros. Eu tentando te atingir com os seus defeitos. Suas recordações dos maus momentos. As palavras voavam pela sala e nos cortavam como cacos de vidro. Acabou. Chega. Eu vou embora, você disse. 
Pegou uma muda de roupas e foi.
Se foi.
Se foi, mas deixou os discos que costumávamos ouvir. Não levou os dvds de comédia romântica que eu assistia só porque você fazia questão. Ainda estão por aqui os congelados que você comprou na sua última ida ao mercado. E algumas camisetas e calcinhas ainda estão no nosso cesto de roupas sujas no banheiro. Um dos seus sketchbooks ficou na cozinha, perto de uma caneca de café ainda suja. Fazia um pouco de frio, mas acabou deixando seu moletom no chão do armário. A sua escova de dentes ainda está ao lado da minha. Parece que tudo foi friamente calculado.
Cada objeto em seu lugar. Tudo com o objetivo de a deixar pra sempre na minha mente. Para que me lembrasse de tudo sempre que visse um livro, um porta-retratos, um bilhete na gaveta.
Já faz uma semana e, de pouco em pouco, tento acabar com todos os vestígios que você deixou. É provável que tu nunca mais volte. O problema é que a saudade, diferente de você, não vai embora.

Acordei. Antes mesmo de abrir os olhos já passei o braço do lado e tentei encostar em você, te abraçar, sentir sua presença. Em vão. Na hora que só encontrei o lençol gelado que me lembrei da discussão de semana passada.

Você jogando na minha cara meus erros. Eu tentando te atingir com os seus defeitos. Suas recordações dos maus momentos. As palavras voavam pela sala e nos cortavam como cacos de vidro. Acabou. Chega. Eu vou embora, você disse. 

Pegou uma muda de roupas e foi.

Se foi.

Se foi, mas deixou os discos que costumávamos ouvir. Não levou os dvds de comédia romântica que eu assistia só porque você fazia questão. Ainda estão por aqui os congelados que você comprou na sua última ida ao mercado. E algumas camisetas e calcinhas ainda estão no nosso cesto de roupas sujas no banheiro. Um dos seus sketchbooks ficou na cozinha, perto de uma caneca de café ainda suja. Fazia um pouco de frio, mas acabou deixando seu moletom no chão do armário. A sua escova de dentes ainda está ao lado da minha. Parece que tudo foi friamente calculado.

Cada objeto em seu lugar. Tudo com o objetivo de a deixar pra sempre na minha mente. Para que me lembrasse de tudo sempre que visse um livro, um porta-retratos, um bilhete na gaveta.

Já faz uma semana e, de pouco em pouco, tento acabar com todos os vestígios que você deixou. É provável que tu nunca mais volte. O problema é que a saudade, diferente de você, não vai embora.

Acabei de descobrir que hoje assisti o segundo filme de Fevereiro. Sim, antes de ver Valente somente Bonequinha de Luxo me visitou esse mês. Comecei a analisar as minhas avaliações para os filmes e percebi que tenho um profundo apego por filmes que me fazem refletir.
Por exemplo, Valente conta uma história de amor familiar. Uma filha lutando para livrar a mãe de uma maldição. É um filme que mexeu comigo porque foi ela que causou toda a situação, sabe? E em diálogos possíveis, apesar daquele mundo ser fantasioso. 
Outro filme com nota altinha é o Ela. A história de um homem que se apaixonou por uma máquina. É claro que vão falar que é muito fácil se apaixonar pela voz da Scarlett Johansson e blá blá. Porém, o que rola é que, não estaríamos nós justamente apaixonados por sistemas operacionais? Não seria essa necessidade de se manter sempre em redes sociais, vidrados nos nossos gadgets, uma forma de paixão?
Dos brasileiros, Histórias Que Só Existem Quando Lembradas fica em silêncio boa parte do tempo. Acompanhamos a rotina de uma cidade habitada por somente idosos e podemos notar a mudança quando uma jovem chega por lá. O velho confrontando ao novo. A mente fechada se abrindo para novas ideias. 
Tudo Se Ilumina mistura ficção e realidade e fala um pouquinho sobre nazismo e a influência dos nossos familiares na nossa realidade. O nazismo também aparece fortemente em A Menina Que Roubava Livros, que nos faz refletir, ainda, sobre o poder das palavras.
Me fazer refletir e ter um conteúdo comportamental é básico no cinema pra mim. Gosto de filmes que mudam minha vida, sabe? Chamo de Cinema-reflexão esses que me chamam a atenção pros meus próprios defeitos e me incentiva a acabar com cada um deles. 
Só que meia-hora depois esqueço de tudo e lá vou eu pros gifs de gatinhos no Tumblr. Até parece que eu conseguiria ser forte.

Acabei de descobrir que hoje assisti o segundo filme de Fevereiro. Sim, antes de ver Valente somente Bonequinha de Luxo me visitou esse mês. Comecei a analisar as minhas avaliações para os filmes e percebi que tenho um profundo apego por filmes que me fazem refletir.

Por exemplo, Valente conta uma história de amor familiar. Uma filha lutando para livrar a mãe de uma maldição. É um filme que mexeu comigo porque foi ela que causou toda a situação, sabe? E em diálogos possíveis, apesar daquele mundo ser fantasioso. 

Outro filme com nota altinha é o Ela. A história de um homem que se apaixonou por uma máquina. É claro que vão falar que é muito fácil se apaixonar pela voz da Scarlett Johansson e blá blá. Porém, o que rola é que, não estaríamos nós justamente apaixonados por sistemas operacionais? Não seria essa necessidade de se manter sempre em redes sociais, vidrados nos nossos gadgets, uma forma de paixão?

Dos brasileiros, Histórias Que Só Existem Quando Lembradas fica em silêncio boa parte do tempo. Acompanhamos a rotina de uma cidade habitada por somente idosos e podemos notar a mudança quando uma jovem chega por lá. O velho confrontando ao novo. A mente fechada se abrindo para novas ideias. 

Tudo Se Ilumina mistura ficção e realidade e fala um pouquinho sobre nazismo e a influência dos nossos familiares na nossa realidade. O nazismo também aparece fortemente em A Menina Que Roubava Livros, que nos faz refletir, ainda, sobre o poder das palavras.

Me fazer refletir e ter um conteúdo comportamental é básico no cinema pra mim. Gosto de filmes que mudam minha vida, sabe? Chamo de Cinema-reflexão esses que me chamam a atenção pros meus próprios defeitos e me incentiva a acabar com cada um deles. 

Só que meia-hora depois esqueço de tudo e lá vou eu pros gifs de gatinhos no Tumblr. Até parece que eu conseguiria ser forte.

1) Livros foram feitos pra serem lidos!
Por mais que eu relute em ter livros em perfeito estado, não acho que uma gotinha insignificante de café num pedaço onde nenhum livro foi incomodada seja um motivo para não matar. Quem sabe essa marquinha da bebida não foi por culpa da autora, que assassinou um dos seus personagens preferidos e te assustou? Pode render uma boa conversa, que, inclusive, é o segundo motivo.
2) Você consegue criar novas amizades…
Quem não ama conversar sobre livros? Quando você empresta um livro bacana para alguém, você terá alguém (aquela pessoa que procurava há muito tempo) para conversar sobre livros, falar sobre os rumos que a série está tomando, investigar quem é o assassino e seu cúmplice… Discutir literatura é um amor!
3) …e descobre quem é amigo de verdade!
Se você emprestou um livro para alguém que já conhece há muito tempo, essa pode ser a oportunidade para descobrir se ele é realmente confiável. Se ele não devolver seu livro ou devolvê-lo todo detonado, já sabe que ele não gosta tanto assim de você, né?
4) Divulgar literatura é ótimo!
Eu tenho alguns livros que algumas pessoas nunca ouviram falar, mas acho que eles são ótimos! Se você conhece os gostos de uma pessoa e uma dessas obras desconhecidas parece completar a pessoa, que tal sugerir a ela e emprestar? É um bom modo de divulgar livros, autores… literatura! Quem sabe aquela pessoa não gosta de ler simplesmente porque não encontrou o livro certo?
5) Nunca devemos julgar um livro pela capa!
E daí que meu Jogos Vorazes está sem um pedaço na capa? E daí que o livro está com a capa todo enrugada porque o amigo pra quem você o emprestou o deixou na mochila e pegou um chuva acidental? O importante é o conteúdo estar inteirinho, perfeitinho, ou, no mínimo, decifrável. São aquelas letras dali de dentro que precisam ser passadas adiante para, quem sabe, mudar uma vida, criar hábitos saudáveis, motivar alguém…!
1) Livros foram feitos pra serem lidos!
Por mais que eu relute em ter livros em perfeito estado, não acho que uma gotinha insignificante de café num pedaço onde nenhum livro foi incomodada seja um motivo para não matar. Quem sabe essa marquinha da bebida não foi por culpa da autora, que assassinou um dos seus personagens preferidos e te assustou? Pode render uma boa conversa, que, inclusive, é o segundo motivo.

2) Você consegue criar novas amizades…
Quem não ama conversar sobre livros? Quando você empresta um livro bacana para alguém, você terá alguém (aquela pessoa que procurava há muito tempo) para conversar sobre livros, falar sobre os rumos que a série está tomando, investigar quem é o assassino e seu cúmplice… Discutir literatura é um amor!

3) …e descobre quem é amigo de verdade!
Se você emprestou um livro para alguém que já conhece há muito tempo, essa pode ser a oportunidade para descobrir se ele é realmente confiável. Se ele não devolver seu livro ou devolvê-lo todo detonado, já sabe que ele não gosta tanto assim de você, né?

4) Divulgar literatura é ótimo!
Eu tenho alguns livros que algumas pessoas nunca ouviram falar, mas acho que eles são ótimos! Se você conhece os gostos de uma pessoa e uma dessas obras desconhecidas parece completar a pessoa, que tal sugerir a ela e emprestar? É um bom modo de divulgar livros, autores… literatura! Quem sabe aquela pessoa não gosta de ler simplesmente porque não encontrou o livro certo?

5) Nunca devemos julgar um livro pela capa!
E daí que meu Jogos Vorazes está sem um pedaço na capa? E daí que o livro está com a capa todo enrugada porque o amigo pra quem você o emprestou o deixou na mochila e pegou um chuva acidental? O importante é o conteúdo estar inteirinho, perfeitinho, ou, no mínimo, decifrável. São aquelas letras dali de dentro que precisam ser passadas adiante para, quem sabe, mudar uma vida, criar hábitos saudáveis, motivar alguém…!
1) Talvez eles nunca mais voltem…
Era um vez um livro. Ainda me lembro do título, de algumas frases que me chamavam mais atenção, de como eu havia gostado daquele livro e, principalmente da pessoa para a qual eu emprestei esse livro e nunca mais me devolveu. Fui à casa dela umas semanas depois e enxerguei o livro no criado-mudo. Logo perguntei em que parte do livro ela estava, mas ela ainda não havia nem começado. Depois, nunca mais tive a sorte de enxergar um dos meus livros favoritos por aí.
2) …e quando voltam, não estão da mesma maneira!
Essa é ainda mais recorrente quanto a mim. O meu exemplar de Jogos Vorazes ganhou uma capa rasgada depois que emprestei a uma certa pessoa. Depois, ele viveu feliz para sempre no box, junto com os outros da trilogia: ninguém mais encosta. As páginas do primeiro livro da saga Deltora Quest estão soltando. Tenho vários livros que já sofreram “restaurações” pra perder as orelhas, perder as manchas de gordura na capa. Várias pessoas que conheço já tiveram experiências com bebidas esparramadas nas páginas também. ALÔ ALÔ GRAÇAS A DEUS: eu não! Mas é melhor me prevenir e deixar eles lá na minha estante, né?
3) Você irá aumentar o fluxo de vendas, o que é bom pra quem consome!
A regra é simples: se as editoras precisam produzir 50000 livros elas tem um custo x. O preço diminui à medida que a impressão aumenta: 75000, 100000, 200000 livros… Quanto mais livros são vendidos, mais os descontos aparecem. Assim, quem ganha é aquele que mais consome os livros, certo? Então, toda vez que a gente deixa alguém extremamente curioso por não emprestar o livro, a gente aquece o mercado editorial, já que a pessoa terá que adquirir o livro para saber quem assassinou a família do mocinho.
4) Você não corre o risco de ter seu livro favorito chamado de “bonzinho”!
Parece que o meu Jogos Vorazes tem um encosto. Além dele estar todo detonado, várias pessoas adoraram a sinopse (e a minha propaganda), a ponto de me pedirem o livro emprestado… para depois falarem que ele é, simplesmente, “bom”. COMO ASSIM, BOM??? Suzanne Collins é um gênio, amigo!
5) Pode acontecer deles serem enviados pra outras pessoas, e outras, e outras…
Você pega um livro emprestado. A pessoa lê o livro perto do primo dela. Ela empresta seu livro para o primo. O primo empresta ao melhor amigo. O pai do melhor amigo resolve ler a obra, e assim por diante… Já aconteceu dos meus livros passarem por tantas mãos desconhecidas que, é impossível não sentir um aperto no peito quando se trata de colocar a confiança em alguém novamente.
1) Talvez eles nunca mais voltem…
Era um vez um livro. Ainda me lembro do título, de algumas frases que me chamavam mais atenção, de como eu havia gostado daquele livro e, principalmente da pessoa para a qual eu emprestei esse livro e nunca mais me devolveu. Fui à casa dela umas semanas depois e enxerguei o livro no criado-mudo. Logo perguntei em que parte do livro ela estava, mas ela ainda não havia nem começado. Depois, nunca mais tive a sorte de enxergar um dos meus livros favoritos por aí.

2) …e quando voltam, não estão da mesma maneira!
Essa é ainda mais recorrente quanto a mim. O meu exemplar de Jogos Vorazes ganhou uma capa rasgada depois que emprestei a uma certa pessoa. Depois, ele viveu feliz para sempre no box, junto com os outros da trilogia: ninguém mais encosta. As páginas do primeiro livro da saga Deltora Quest estão soltando. Tenho vários livros que já sofreram “restaurações” pra perder as orelhas, perder as manchas de gordura na capa. Várias pessoas que conheço já tiveram experiências com bebidas esparramadas nas páginas também. ALÔ ALÔ GRAÇAS A DEUS: eu não! Mas é melhor me prevenir e deixar eles lá na minha estante, né?

3) Você irá aumentar o fluxo de vendas, o que é bom pra quem consome!
A regra é simples: se as editoras precisam produzir 50000 livros elas tem um custo x. O preço diminui à medida que a impressão aumenta: 75000, 100000, 200000 livros… Quanto mais livros são vendidos, mais os descontos aparecem. Assim, quem ganha é aquele que mais consome os livros, certo? Então, toda vez que a gente deixa alguém extremamente curioso por não emprestar o livro, a gente aquece o mercado editorial, já que a pessoa terá que adquirir o livro para saber quem assassinou a família do mocinho.

4) Você não corre o risco de ter seu livro favorito chamado de “bonzinho”!
Parece que o meu Jogos Vorazes tem um encosto. Além dele estar todo detonado, várias pessoas adoraram a sinopse (e a minha propaganda), a ponto de me pedirem o livro emprestado… para depois falarem que ele é, simplesmente, “bom”. COMO ASSIM, BOM??? Suzanne Collins é um gênio, amigo!

5) Pode acontecer deles serem enviados pra outras pessoas, e outras, e outras…
Você pega um livro emprestado. A pessoa lê o livro perto do primo dela. Ela empresta seu livro para o primo. O primo empresta ao melhor amigo. O pai do melhor amigo resolve ler a obra, e assim por diante… Já aconteceu dos meus livros passarem por tantas mãos desconhecidas que, é impossível não sentir um aperto no peito quando se trata de colocar a confiança em alguém novamente.
Teve uma ideia pro enredo? Anote! Pensou nas características da sua protagonista? Anote! Já sabe o que vai unir o seu casalzinho? Anote! Quando se tem tudo anotado e bem organizado é mais fácil que tudo venha na mente. Para não perder nenhum surto mental, ande SEMPRE com um caderninho e caneta também. Não é nada legal deixar uma ideia genial fugir…

Outra coisa que ajuda muito é informar outras pessoas que você está escrevendo. Elas poderão te ajudar com dicas, vocabulário, furos no enredo… Dessa vez, estou participando de um clube no Facebook (aqui) com outros participantes do Camp. Já tem várias discussões sobre temas e metas por lá, mesmo estando ainda no primeiro dia. Falar com alguém “estranho” é bacana porque você não precisa sentir vergonha de nada, já que nunca cruzará com ela no corredor, mas, muitas vezes é bom falar com algum amigo “de verdade” também.


Da série “Como Escrever seu Livro”. Meio que as primeiras dicas.
Teve uma ideia pro enredo? Anote! Pensou nas características da sua protagonista? Anote! Já sabe o que vai unir o seu casalzinho? Anote! Quando se tem tudo anotado e bem organizado é mais fácil que tudo venha na mente. Para não perder nenhum surto mental, ande SEMPRE com um caderninho e caneta também. Não é nada legal deixar uma ideia genial fugir…
Outra coisa que ajuda muito é informar outras pessoas que você está escrevendo. Elas poderão te ajudar com dicas, vocabulário, furos no enredo… Dessa vez, estou participando de um clube no Facebook (aqui) com outros participantes do Camp. Já tem várias discussões sobre temas e metas por lá, mesmo estando ainda no primeiro dia. Falar com alguém “estranho” é bacana porque você não precisa sentir vergonha de nada, já que nunca cruzará com ela no corredor, mas, muitas vezes é bom falar com algum amigo “de verdade” também.
Da série “Como Escrever seu Livro”. Meio que as primeiras dicas.
Esta é uma boa pergunta, nobre colega. Escolher o tema do livro é uma das coisas mais simples, mas é uma das que requer mais pensamento. Você deve evitar ao máximo escrever sobre algo que já existiu ou com uma trama muito similar a outras. Você pode falar sobre vampiros, mas não pode falar sobre vampiros que se transformam em purpurina no Sol pois isso já existe. Você pode falar sobre príncipes e princesas, mas sem que ela perca um sapatinho de cristal. Quer usar personagens conhecidos universalmente? Bacana, mas tente sair do senso comum.

Escreva sobre aquilo que você tem costume de ler ou domine também. Não dará certo se você escrever um livro sobre anjos caídos tendo livros somente chick-lits. Ter conhecimento sobre o que quer escrever é básico. 


Da série “Como escrever seu livro”. Não que eu tenha experiência e bagagem para isso, mas. 
Esta é uma boa pergunta, nobre colega. Escolher o tema do livro é uma das coisas mais simples, mas é uma das que requer mais pensamento. Você deve evitar ao máximo escrever sobre algo que já existiu ou com uma trama muito similar a outras. Você pode falar sobre vampiros, mas não pode falar sobre vampiros que se transformam em purpurina no Sol pois isso já existe. Você pode falar sobre príncipes e princesas, mas sem que ela perca um sapatinho de cristal. Quer usar personagens conhecidos universalmente? Bacana, mas tente sair do senso comum.
Escreva sobre aquilo que você tem costume de ler ou domine também. Não dará certo se você escrever um livro sobre anjos caídos tendo livros somente chick-lits. Ter conhecimento sobre o que quer escrever é básico
Da série “Como escrever seu livro”. Não que eu tenha experiência e bagagem para isso, mas. 
Não adianta. Por mais que você tenha uma rotina de merda, seu domingo sempre conseguirá ser pior. Domingo não apresenta opções para escapar. Você não tem a opção de sair e fazer compras porque a maioria das lojas legais se encontra fechada. Não tem como ligar o rádio sem escutar samba e sertanejo. Não há canais para escolher. Ou Faustão ou Rodrigo Faro, já que até o Gugu se suicidou dos domingos.

Foi num desses domingos de ócio que, lendo o jornal do dia anterior, encontrei uma chance de ouro. Um ilustrador brasileiro naturalizado inglês estava oferecendo vagas para um curso em sua agência, acompanhado de trampo remunerado. Foi ali que me enxerguei com 30 anos, desenhando não mais numa cafeteria, mas em um estúdio conceituado.

Lançaria uma graphic novel que contava a história de um personagem egocêntrico e metido a besta, mas que deixaria tudo de lado para viver com uma mina que, posteriormente, arrasaria a vida dele. Autobiográfico? Imagina…

Assinaria uma linha de latas para uma fábrica de chocolates gourmet. Camisetas, canecas, posters. Faria exposições conceituais que ninguém saberia explicar as relações entre as ilustras, mas pagariam uma nota para ver (e não poder tirar fotos). Seria convidado para programas de debate e comportamento na televisão, mesmo que eu não tenha nada a ver com o tema do programa do dia. No fim, sorteariam algumas coisas da minha linha entre os que usarem a hashtag com o nome do programa em redes sociais.

Mas antes mesmo disso tudo começar, já havia sido deixado à beira da estrada. Esse destino filho da puta.

Tava bastante ansioso e ainda me arrumam de atrasar o vôo. Tique taque. Tique taque. Peguei um exemplar gratuito de Palavras Cruzadas na sala de espera. Cidade do Egito com grandes pirâmides com 4 letras. Problema urbano relacionado a carros com 16 letras. Tique. Nicolau Maquiavel, autor do livro O Príncipe, com 2 letras. Taque. Café, preciso de café. Forte, por favor. Tique. Não resolve.

Parti pro banheiro, era proibido fazer isso em ambiente fechado, eu sei, mas precisava fumar uma. Sentei em uma das privadas, tranquei a porta. Isqueiro vermelho. Fogo. Aos poucos, ficava mais calmo. Obrigado. Podia ouvir a canção do Marcelo D2 que fazia trilha sonora interromper para dar voz à senhorita da voz sensual me alertando pro meu vôo.

Saí correndo, um pouco desesperado. Coloquei os óculos escuros para passar pela revista. Não podia parecer nesse estado pros policiais. Foi!

A sorte acabava na Inglaterra, porém. O avião pousou no aeroporto em Londres. Peguei minhas malas e, uma nova passagem pelo detector de metais (que achava ser somente para metais) era necessária para a entrada no saguão principal.


O detector apitou. Retirei os óculos, o celular e algumas moedas que estavam no bolso da calça. O policial pediu para eu tirar o cinto também. Segurando as calças com a mão, arrisquei uma nova passagem. Bip-bip. Me pediram para ir para próximo da parede e usaram um detector portátil que apitou ao ser passado em meu peito. O policial retirou um pedaço do cigarro que não tinha sido queimado até a última ponta.

Deportado. Nada de ilustrações, nada de linha de produtos, nada de grana, nada de sucesso.

Não podia correr o risco dos meus pais saberem que tudo deu errado para mim novamente. Já não bastava os sermões por ter sido abandonado por aquela mina. Desesperado, liguei pro Sujeira. Ele riu da minha cara, mas me ajudou.

Me colocou no apartamento dele por uns dias, até que consegui esse apartamento. Fiquei com medo de seguir as instruções dos classificados novamente, mas não queria morar com um cara que não tinha esse apelido a toa.

Um apartamento num edifício cinza, um sofá preto e uma das malas que não foram confiscadas na viagem. Era tudo que havia me restado.


Segundo episódio (“Quando o café não resolve”) para o projeto Edifício Cinza. Foi minha última colaboração para o prédio coletivo.
Não adianta. Por mais que você tenha uma rotina de merda, seu domingo sempre conseguirá ser pior. Domingo não apresenta opções para escapar. Você não tem a opção de sair e fazer compras porque a maioria das lojas legais se encontra fechada. Não tem como ligar o rádio sem escutar samba e sertanejo. Não há canais para escolher. Ou Faustão ou Rodrigo Faro, já que até o Gugu se suicidou dos domingos.
Foi num desses domingos de ócio que, lendo o jornal do dia anterior, encontrei uma chance de ouro. Um ilustrador brasileiro naturalizado inglês estava oferecendo vagas para um curso em sua agência, acompanhado de trampo remunerado. Foi ali que me enxerguei com 30 anos, desenhando não mais numa cafeteria, mas em um estúdio conceituado.
Lançaria uma graphic novel que contava a história de um personagem egocêntrico e metido a besta, mas que deixaria tudo de lado para viver com uma mina que, posteriormente, arrasaria a vida dele. Autobiográfico? Imagina…
Assinaria uma linha de latas para uma fábrica de chocolates gourmet. Camisetas, canecas, posters. Faria exposições conceituais que ninguém saberia explicar as relações entre as ilustras, mas pagariam uma nota para ver (e não poder tirar fotos). Seria convidado para programas de debate e comportamento na televisão, mesmo que eu não tenha nada a ver com o tema do programa do dia. No fim, sorteariam algumas coisas da minha linha entre os que usarem a hashtag com o nome do programa em redes sociais.
Mas antes mesmo disso tudo começar, já havia sido deixado à beira da estrada. Esse destino filho da puta.
Tava bastante ansioso e ainda me arrumam de atrasar o vôo. Tique taque. Tique taque. Peguei um exemplar gratuito de Palavras Cruzadas na sala de espera. Cidade do Egito com grandes pirâmides com 4 letras. Problema urbano relacionado a carros com 16 letras. Tique. Nicolau Maquiavel, autor do livro O Príncipe, com 2 letras. Taque. Café, preciso de café. Forte, por favor. Tique. Não resolve.
Parti pro banheiro, era proibido fazer isso em ambiente fechado, eu sei, mas precisava fumar uma. Sentei em uma das privadas, tranquei a porta. Isqueiro vermelho. Fogo. Aos poucos, ficava mais calmo. Obrigado. Podia ouvir a canção do Marcelo D2 que fazia trilha sonora interromper para dar voz à senhorita da voz sensual me alertando pro meu vôo.
Saí correndo, um pouco desesperado. Coloquei os óculos escuros para passar pela revista. Não podia parecer nesse estado pros policiais. Foi!
A sorte acabava na Inglaterra, porém. O avião pousou no aeroporto em Londres. Peguei minhas malas e, uma nova passagem pelo detector de metais (que achava ser somente para metais) era necessária para a entrada no saguão principal.
O detector apitou. Retirei os óculos, o celular e algumas moedas que estavam no bolso da calça. O policial pediu para eu tirar o cinto também. Segurando as calças com a mão, arrisquei uma nova passagem. Bip-bip. Me pediram para ir para próximo da parede e usaram um detector portátil que apitou ao ser passado em meu peito. O policial retirou um pedaço do cigarro que não tinha sido queimado até a última ponta.
Deportado. Nada de ilustrações, nada de linha de produtos, nada de grana, nada de sucesso.
Não podia correr o risco dos meus pais saberem que tudo deu errado para mim novamente. Já não bastava os sermões por ter sido abandonado por aquela mina. Desesperado, liguei pro Sujeira. Ele riu da minha cara, mas me ajudou.
Me colocou no apartamento dele por uns dias, até que consegui esse apartamento. Fiquei com medo de seguir as instruções dos classificados novamente, mas não queria morar com um cara que não tinha esse apelido a toa.
Um apartamento num edifício cinza, um sofá preto e uma das malas que não foram confiscadas na viagem. Era tudo que havia me restado.
Segundo episódio (“Quando o café não resolve”) para o projeto Edifício Cinza. Foi minha última colaboração para o prédio coletivo.
Ainda me lembro de quando eu a conheci. Mesmo no meio daquela fumaça de cigarro que cobria toda a kitchenette do Sujeira, assim que ela chegou perto de mim, sentado no sofá floral da sala conjugada a cozinha, o cheiro forte e doce de chiclete de melancia incomodou meu nariz. Ela era a coisa mais linda que já tinha visto.

Vestida de branco com um raio no rosto, referência a David Bowie, segurava uma garrafa de cerveja e se sentou ao meu lado, sem se importar com a garota fantasiada de Princesa Leia que já estava comigo. A conversa começou a fluir entre nós dois (eu e ela), deixando a minha-primeira-mina-da-festa com a cara vermelha de raiva. Naquela mesma hora, soube que ela seria minha. Imponente, descarada, safada. Aquela puta!

Conversamos sobre bebidas, festas, pessoas, Ramones, tatuagens, frescobol, comidas, cafés, música. Trocamos telefones. Discutimos Foucault. Transamos. Duas Vezes. Nesta mesma noite. Estava no apartamento dela quando acordei. Mas ela não estava mais na cama. Nem em nenhum lugar entre aquelas paredes. Havia deixado somente um bilhete dizendo que deixou uma garrafa com café na pia. Vesti novamente minha roupa de Doctor Who, desta vez sem o sobretudo (este foi o principal motivo da minha escolha de fantasia pra festa: será que posso andar com ela à luz do dia?) e voltei pra minha casa, com uma leve, bem leve dor de cabeça.

Desenho. Adoro desenhar. Também sou (ou tento ser) escritor e tento há vários anos terminar os livros que comecei. Só consigo terminar moleskines que encho de rabiscos, desenhos, frases que vejo por aí… Estava escrevendo numa cafeteria (o lugar recomendado para escrever de 9 entre 10 escritores) quando ela me ligou pela primeira vez. Já haviam se passado dois meses, mas consegui reconhecer a voz dela. Marcamos um encontro ali mesmo e, dez minutos depois, ela estava li, na minha frente,chorando enquanto dizia que estava grávida. De mim.


Sou de família extremamente católica, apesar de eu participar somente das missas de Páscoa e Natal. Quando ficaram sabendo que eu a engravidei, meus pais disseram que eu só iria para o céu se assumisse o moleque. Duas semanas depois já estávamos fazendo exames juntos, como um casal empolgado com o primeiro filho, mas sem a parte da empolgação. Logo mais, juntos num apartamento grande e confortável. Um quarto pra nós dois. Um quarto pra criança. Um quarto de visitas, que ela disse ser necessário, já que a família dela morava no interior.

Todo casal começa a morar feliz e, à medida que o tempo passa, os defeitos e discussões sobre eles vão aparecendo. Parece que começamos nosso relacionamento pelo final. Não parecia haver qualidades em nenhum de nós dois. Brigávamos todos os dias. E não, não fazíamos as pazes na cama. Às vezes, somente com um selinho de manhã. Só por uma vez dei uma rosa a ela, mas não houve reconhecimento, então não repeti o ato.

Tudo piorou quando ela perdeu a criança. Foi tudo muito mal explicado, mas ela disse que caiu da escada quando tirava a poeira de cima do armário da área de serviço. Por dois dias nem conversamos. Depois, tivemos a pior de todas as brigas. E mais uma vez acordei sem ela. Novamente, o bilhete estava lá.

 Deixei bife e arroz no microondas. Joguei na privada aquela rosa. E a aliança eu deixei pra você pagar as contas.

Aquela puta! Me deixou sozinho ali, com o Sabujo, o cachorro dela. Não era possível. Não podia ser verdade! Por dois dias eu esperei ela voltar. Só no terceiro dia, o dia da Ressurreição, me toquei. Fui à Missa de Páscoa. No outro dia, vendi as alianças. Paguei as contas. Sentado numa desconfortável cadeira de madeira, na casa dos meus pais, visualizei a grande oportunidade da minha vida. Um curso de ilustração na Inglaterra. 

Foi esse curso que deu o nome de Londres ao apartamento onde estou morando hoje. Ainda no aeroporto, depois da grande chance ter ido pros ares, comprei um jornal. E ali estava, nos Classificados, um apartamento vago, perfeito pra um cara que precisa aprender a lidar com a solidão e um cachorro abandonado pela dona, num edifício cinza no centro da cidade.


Episódio Piloto para o projeto Edifício Cinza. Infelizmente, quando fui convidado definitivamente o tempo já estava mais corrido e o personagem nem combinava mais com a fase onde estava. 
Ainda me lembro de quando eu a conheci. Mesmo no meio daquela fumaça de cigarro que cobria toda a kitchenette do Sujeira, assim que ela chegou perto de mim, sentado no sofá floral da sala conjugada a cozinha, o cheiro forte e doce de chiclete de melancia incomodou meu nariz. Ela era a coisa mais linda que já tinha visto.
Vestida de branco com um raio no rosto, referência a David Bowie, segurava uma garrafa de cerveja e se sentou ao meu lado, sem se importar com a garota fantasiada de Princesa Leia que já estava comigo. A conversa começou a fluir entre nós dois (eu e ela), deixando a minha-primeira-mina-da-festa com a cara vermelha de raiva. Naquela mesma hora, soube que ela seria minha. Imponente, descarada, safada. Aquela puta!
Conversamos sobre bebidas, festas, pessoas, Ramones, tatuagens, frescobol, comidas, cafés, música. Trocamos telefones. Discutimos Foucault. Transamos. Duas Vezes. Nesta mesma noite. Estava no apartamento dela quando acordei. Mas ela não estava mais na cama. Nem em nenhum lugar entre aquelas paredes. Havia deixado somente um bilhete dizendo que deixou uma garrafa com café na pia. Vesti novamente minha roupa de Doctor Who, desta vez sem o sobretudo (este foi o principal motivo da minha escolha de fantasia pra festa: será que posso andar com ela à luz do dia?) e voltei pra minha casa, com uma leve, bem leve dor de cabeça.
Desenho. Adoro desenhar. Também sou (ou tento ser) escritor e tento há vários anos terminar os livros que comecei. Só consigo terminar moleskines que encho de rabiscos, desenhos, frases que vejo por aí… Estava escrevendo numa cafeteria (o lugar recomendado para escrever de 9 entre 10 escritores) quando ela me ligou pela primeira vez. Já haviam se passado dois meses, mas consegui reconhecer a voz dela. Marcamos um encontro ali mesmo e, dez minutos depois, ela estava li, na minha frente,chorando enquanto dizia que estava grávida. De mim.
Sou de família extremamente católica, apesar de eu participar somente das missas de Páscoa e Natal. Quando ficaram sabendo que eu a engravidei, meus pais disseram que eu só iria para o céu se assumisse o moleque. Duas semanas depois já estávamos fazendo exames juntos, como um casal empolgado com o primeiro filho, mas sem a parte da empolgação. Logo mais, juntos num apartamento grande e confortável. Um quarto pra nós dois. Um quarto pra criança. Um quarto de visitas, que ela disse ser necessário, já que a família dela morava no interior.
Todo casal começa a morar feliz e, à medida que o tempo passa, os defeitos e discussões sobre eles vão aparecendo. Parece que começamos nosso relacionamento pelo final. Não parecia haver qualidades em nenhum de nós dois. Brigávamos todos os dias. E não, não fazíamos as pazes na cama. Às vezes, somente com um selinho de manhã. Só por uma vez dei uma rosa a ela, mas não houve reconhecimento, então não repeti o ato.
Tudo piorou quando ela perdeu a criança. Foi tudo muito mal explicado, mas ela disse que caiu da escada quando tirava a poeira de cima do armário da área de serviço. Por dois dias nem conversamos. Depois, tivemos a pior de todas as brigas. E mais uma vez acordei sem ela. Novamente, o bilhete estava lá.
 Deixei bife e arroz no microondas. Joguei na privada aquela rosa. E a aliança eu deixei pra você pagar as contas.
Aquela puta! Me deixou sozinho ali, com o Sabujo, o cachorro dela. Não era possível. Não podia ser verdade! Por dois dias eu esperei ela voltar. Só no terceiro dia, o dia da Ressurreição, me toquei. Fui à Missa de Páscoa. No outro dia, vendi as alianças. Paguei as contas. Sentado numa desconfortável cadeira de madeira, na casa dos meus pais, visualizei a grande oportunidade da minha vida. Um curso de ilustração na Inglaterra. 
Foi esse curso que deu o nome de Londres ao apartamento onde estou morando hoje. Ainda no aeroporto, depois da grande chance ter ido pros ares, comprei um jornal. E ali estava, nos Classificados, um apartamento vago, perfeito pra um cara que precisa aprender a lidar com a solidão e um cachorro abandonado pela dona, num edifício cinza no centro da cidade.
Episódio Piloto para o projeto Edifício Cinza. Infelizmente, quando fui convidado definitivamente o tempo já estava mais corrido e o personagem nem combinava mais com a fase onde estava.